Protetor solar não é só para praia: especialista alerta para riscos da exposição cotidiana
Durante o Dezembro Laranja, mês dedicado à prevenção do câncer de pele, especialistas reforçam um alerta importante: o maior risco não está apenas nos dias de praia ou piscina. Até 90% da radiação ultravioleta (UV) que acumulamos ao longo da vida vem da exposição diária, muitas vezes negligenciada — como caminhar até o trabalho, dirigir, usar transporte público ou permanecer próximo a janelas.
Segundo o dermatologista Marcelo Picone, da Hapvida, quem usa protetor solar apenas em momentos de “exposição direta” tem risco duas a três vezes maior de desenvolver câncer de pele e sofrer envelhecimento precoce, quando comparado a quem mantém o uso diário. Isso ocorre porque o UVA, tipo de radiação associado ao envelhecimento acelerado, manchas e maior risco de câncer, é o que mais incide no dia a dia. Ele representa 95% da radiação que chega à Terra, é intenso das 8h às 17h durante todo o ano e atravessa nuvens e vidros.
“O vidro comum bloqueia quase todo o UVB, mas deixa passar até 70% do UVA. Ou seja, você não queima, mas envelhece e aumenta seu risco de câncer”, explica o dermatologista. Apenas 15 a 20 minutos de deslocamento diário, cinco vezes por semana, resultam em mais de 33 horas de exposição por mês.
Alguns grupos são ainda mais vulneráveis: motoristas e motoboys, que acumulam maior dano de um lado do rosto e do braço; trabalhadores externos; pessoas com melasma; idosos; crianças — cuja queimadura solar grave pode dobrar o risco de melanoma — e pessoas negras com vitiligo ou albinismo, que possuem maior sensibilidade.
Dados recentes do Instituto Nacional de Câncer (INCA) reforçam a urgência: o câncer de pele segue como o tipo mais frequente no Brasil, com mais de 220 mil novos casos estimados para 2025, impulsionados pela exposição solar crônica.
Para uso diário, o Consenso Brasileiro de Fotoproteção (2023/2024) e a Sociedade Brasileira de Dermatologia recomendam protetores com FPS a partir de 30 — preferencialmente entre 50 e 70 — e proteção contra UVA (PPD ≥ 16 ou rotulagem “amplo espectro”). A quantidade ideal é de cerca de uma colher de chá para rosto, pescoço e orelhas, com reaplicação a cada três ou quatro horas em caso de exposição prolongada.
A fotoproteção complementar também é essencial: óculos com UV400, chapéus, bonés e roupas com fator de proteção (UPF), especialmente para crianças e profissionais que trabalham ao ar livre.
Em sintonia com a campanha Dezembro Laranja, Picone reforça:
“Fotoproteção é cuidado contínuo. Não é sobre sol forte, é sobre rotina”.