Psicóloga alerta sobre os impactos da palmada na infância e os riscos para a saúde mental
A expressão “apanhei e não morri” ainda é comum em muitas famílias brasileiras, mas para a psicóloga e psicoterapeuta Bianca Reis, essa visão é perigosa e precisa ser desconstruída. Segundo a especialista, práticas como a palmada, vistas por alguns como uma forma de educar, trazem sérios prejuízos ao desenvolvimento infantil e podem deixar marcas emocionais para toda a vida.
Apesar de estarmos no século XXI e de existirem leis como o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que classificam a violência física contra menores como crime, a palmada ainda é naturalizada em muitos lares. Bianca explica que, além de não educar, esse tipo de punição cria barreiras entre pais e filhos e gera distorções emocionais.
“Quando um adulto bate em uma criança, o que se constrói não é respeito, mas medo. Essa associação equivocada entre amor e violência pode gerar confusão mental e influenciar escolhas futuras, muitas vezes de forma inconsciente”, afirma a psicóloga.
Bianca reforça que discutir o tema não é sobre culpar os pais, mas provocar reflexão e acolhimento. Para ela, é fundamental que os responsáveis compreendam não apenas o caráter legal da questão, mas também o impacto profundo que a violência física causa no desenvolvimento emocional. “Quem opta pela força física, mesmo que em uma ‘inocente’ palmadinha, não conseguiu compreender a gravidade desse ato e nem os próprios impulsos”, alerta.
A psicóloga acrescenta que os traumas causados pela violência na infância podem levar anos para serem tratados e, em alguns casos, nunca são totalmente superados, refletindo diretamente na saúde mental da vida adulta. Por isso, ela defende a construção de modelos educativos firmes, mas baseados no respeito e na empatia.
“Educar é um dos maiores desafios da vida, porque exige transformação consciente também do adulto. Quebrar ciclos de violência e adotar uma postura mais gentil significa sair da zona de conforto, enfrentar dores internas e oferecer à criança o respeito e o amor que ela merece”, conclui Bianca Reis.