Psicóloga Bianca Reis explica a diferença entre solidão e solitude

Em tempos de hiperconectividade e excesso de estímulos digitais, a solidão se tornou um tema cada vez mais recorrente nas discussões sobre saúde mental. Mas, segundo a psicóloga Bianca Reis, é importante diferenciar solidão de solitude — e entender como cada uma afeta nosso bem-estar de formas distintas.

Enquanto a solidão é marcada pela sensação de isolamento emocional ou social, mesmo quando se está rodeado de pessoas, a solitude é o desejo consciente de estar só, em um momento de introspecção e conexão consigo mesmo.

“A solitude, quando bem aproveitada, pode ser uma fonte de crescimento pessoal. É um momento de autoconhecimento e reflexão, especialmente valioso em um mundo tão barulhento e acelerado como o nosso”, explica Bianca Reis.

Exemplos de solitude são momentos como caminhar sozinho, ir ao cinema sem companhia ou passar um tempo em silêncio. Essa prática, segundo estudos recentes, pode contribuir para o equilíbrio emocional e a saúde mental, desde que feita de forma consciente e não em excesso.

Já a solidão com sofrimento, como define a psicóloga, é aquela que perdura mesmo em contextos sociais e está frequentemente associada a riscos à saúde, como o aumento de doenças cardiovasculares. “Esse tipo de solidão pode desencadear um ciclo vicioso: a pessoa se sente solitária, se afasta dos outros e acaba se isolando ainda mais, o que agrava o problema”, alerta.

Uma pesquisa da Cigna Corporation, nos EUA, apontou que 58% dos adultos se sentem solitários, um número que cresceu especialmente após a pandemia. O uso excessivo de tecnologia e a falta de vínculos profundos são apontados como fatores que contribuem para esse cenário.

Para combater a solidão nociva, Bianca sugere buscar conexões significativas, se engajar em atividades coletivas e, quando necessário, procurar ajuda profissional. “A solidão não desejada é um desafio sério, mas reconhecer seus sinais e agir pode transformar vidas”, finaliza.