Psicóloga destaca a importância das amizades para a saúde mental e o bem-estar emocional

As amizades exercem um papel fundamental na saúde mental e no equilíbrio emocional das pessoas, funcionando como redes de apoio que atravessam diferentes fases da vida. Mais do que companheirismo, os vínculos de amizade contribuem para o desenvolvimento da socialização, da segurança emocional, do autoconhecimento e da ampliação do repertório comportamental, além de impactarem diretamente na forma como cada indivíduo se relaciona consigo mesmo e com o mundo.

De acordo com a psicóloga Bianca Reis, cultivar amizades ajuda a construir pertencimento e proteção emocional. “Quando não pertencemos ao todo, nos afastamos dele. Quando pertencemos a nós mesmos, nos aproximamos da nossa essência. Entre bons amigos, é possível pertencer ao grupo e, ao mesmo tempo, ser quem se é”, explica. Segundo a especialista, essa vivência contribui para que a sensação de vazio, inerente à condição humana, seja encarada de maneira menos angustiante.

Nos últimos anos, novos formatos de convivência têm ganhado espaço. Grupos de amigos que promovem encontros fixos, comunidades formadas por pessoas que moram próximas e até arranjos como o chamado “casamento lavanda” — baseado em estabilidade financeira, emocional e proteção legal — refletem a busca por redes de apoio mais sólidas. Para Bianca, a noção de pertencimento, aliada à autenticidade e ao reconhecimento, é essencial para a saúde mental.

A psicóloga alerta que dificuldades em estabelecer amizades podem levar algumas pessoas a hipercompensar no trabalho, na família ou em relações amorosas. Embora as amizades não impeçam a solidão, elas funcionam como porto seguro para compartilhar sentimentos e fragilidades. Um dado recente da Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que cerca de 100 pessoas morrem por hora no mundo em decorrência da solidão, evidenciando o impacto social e emocional da falta de vínculos.

“Amigos nos auxiliam no fortalecimento, no aconselhamento e no desenvolvimento de boas relações, mas não substituem a psicoterapia. Da mesma forma, a terapia não substitui as amizades”, ressalta Bianca. Ela destaca que pessoas cansadas, adoecidas ou emocionalmente fragilizadas tendem a ter mais dificuldade em manter relações saudáveis, o que exige atenção e cuidado contínuos.

Com a chegada das festas de fim de ano, os encontros ganham ainda mais significado. As confraternizações se tornam momentos de reatualizar laços afetivos, renovar esperanças e celebrar a presença do outro. “Por que não olhar para esses encontros com o carinho e a importância que eles realmente têm?”, questiona a psicóloga.