Quilombo de Fumaça realiza festival que une juventude, cultura e economia negra

A Comunidade Quilombola de Fumaça, localizada em Pindobaçu, no interior da Bahia, recebe no dia 14 de março a segunda edição do Festival e Feira Preta de Fumaça. O evento reúne juventude quilombola, lideranças comunitárias e empreendedores em uma programação voltada para cultura, formação política e fortalecimento da economia negra.

Com o tema “Do quilombo ao futuro”, a iniciativa parte da ideia do quilombo como espaço ancestral de resistência e construção coletiva de alternativas para o presente e o futuro. A programação foi organizada em três eixos principais: direitos quilombolas, racismo estrutural e empreendedorismo negro.

Segundo o produtor executivo do festival, Roberto Saturnino, o objetivo é consolidar o evento como uma plataforma permanente de formação e desenvolvimento comunitário. “A segunda edição fortalece um espaço estruturado de formação, geração de renda e valorização da cultura negra e quilombola. A ideia é institucionalizar o festival como uma iniciativa contínua de desenvolvimento cultural e social”, destaca.

Entre as atividades previstas estão rodas de conversa com lideranças quilombolas, mesas de debate sobre acesso a políticas públicas e permanência no território, além de rodas de escuta sobre racismo estrutural. A programação inclui ainda a Feira Preta, espaço dedicado à comercialização de produtos de empreendedores locais, incentivando a circulação de renda dentro da própria comunidade.

Para Raimunda Borges, coordenadora executiva do evento e liderança do território, o festival também representa um momento de afirmação coletiva e fortalecimento da juventude. “É um encontro nosso, feito por nós e pra nós. Queremos ver mais jovens participando, mais oportunidades surgindo dentro da própria comunidade e fazer o festival virar tradição”, afirma.

A expectativa da organização é ampliar o alcance regional do evento e consolidar o festival como referência nos debates sobre juventude quilombola, enfrentamento ao racismo e desenvolvimento territorial no interior baiano.

O projeto foi contemplado pelos editais da Política Nacional Aldir Blanc na Bahia, com apoio financeiro do Secretaria de Cultura do Estado da Bahia e do Ministério da Cultura.