Reativação da hidrovia do São Francisco pode reduzir preço dos alimentos no interior

O Governo Federal estuda a reativação da hidrovia do Rio São Francisco como estratégia para reduzir custos logísticos e melhorar o abastecimento de cidades do interior do país. A proposta, conduzida pelo Ministério de Portos e Aeroportos (MPor), prevê o fortalecimento do transporte hidroviário no Velho Chico, ampliando a circulação de mercadorias e diminuindo impactos no preço final dos alimentos.

Atualmente, o trecho navegável do rio possui 1.371 quilômetros, ligando Pirapora, em Minas Gerais, a Juazeiro, na Bahia, e Petrolina, em Pernambuco. A expectativa é que a retomada das operações beneficie cerca de 505 municípios e alcance aproximadamente 11,4 milhões de pessoas.

Segundo o ministério, a hidrovia poderá movimentar até 5 milhões de toneladas de cargas já no primeiro ano de funcionamento. Entre os principais produtos previstos estão soja, milho, algodão, fertilizantes, calcário e gesso, itens diretamente ligados à cadeia agrícola e ao abastecimento alimentar.

O ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, afirmou que a iniciativa deve gerar impactos positivos na economia e na logística do país. “A volta da hidrovia do Velho Chico significa mais desenvolvimento, redução no custo do transporte de mercadorias e integração entre regiões”, destacou.

Além da redução nos custos, o projeto prevê geração de empregos nos setores de transporte, operação portuária, comércio e serviços. O secretário nacional de Hidrovias e Navegação, Otto Luiz Burlier, reforçou que o modal hidroviário também garante maior regularidade no transporte de cargas essenciais para cidades que dependem do rio.

A proposta inclui ainda obras de melhoria na navegabilidade e implantação de Instalações Portuárias Públicas de Pequeno Porte (IP4) ao longo do percurso. A gestão da hidrovia será transferida do Dnit para a Companhia das Docas do Estado da Bahia (CODEBA), em parceria com a Antaq.

Para o presidente da CODEBA, Antonio Gobbo, o modelo também reduz impactos ambientais. “Cada comboio equivale a 163 carretas a menos nas estradas, trazendo mais eficiência logística e menor impacto ambiental”, afirmou.

Fonte: ASCOM MPOR