Renda de bilro de Saubara conquista Indicação Geográfica e valoriza artesanato baiano

A tradição centenária da renda de bilro de Saubara, no Recôncavo Baiano, acaba de alcançar um marco histórico. O Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) concedeu à técnica artesanal a Indicação Geográfica (IG), na categoria Indicação de Procedência (IP). A decisão foi publicada na Revista da Propriedade Industrial em 12 de agosto e marca a primeira IG artesanal da Bahia, inserindo oficialmente o estado no mapa nacional desse reconhecimento.

Com o título, o Brasil passa a contar com 150 Indicações Geográficas registradas, sendo 109 nacionais e 41 de origem estrangeira. No caso de Saubara, o selo fortalece não apenas o valor cultural, mas também o potencial econômico do artesanato, ampliando oportunidades de comercialização, turismo e preservação da identidade local.

Mestra rendeira e representante da quarta geração de sua família, Maria do Carmo Amorim celebrou emocionada a conquista. “Esperamos muito tempo por esse reconhecimento. Agora, nosso trabalho ganha ainda mais valor e visibilidade, e acreditamos que teremos dias melhores para as rendeiras de Saubara”, afirmou.

A renda de bilro do município se diferencia pelo processo inteiramente manual, que utiliza bilros de madeira, almofadas recheadas com folhas de bananeira e guias de papel. A técnica já atravessou fronteiras, com peças enviadas à Europa, e é incentivada pelo programa Artesanato da Bahia, desenvolvido pela Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre) em parceria com instituições locais.

Para a arquiteta Lívia Gabrielli, da Coordenação de Fomento ao Artesanato da Bahia, a IG garante não só proteção contra falsificações, mas também estrutura a atividade para o mercado, gerando renda e orgulho para os artesãos. “As Indicações Geográficas fortalecem territórios, preservam tradições e transformam o sentimento de pertencimento em oportunidades de desenvolvimento sustentável”, destacou.

A coordenadora do Fórum Baiano de Indicações Geográficas e Marcas Coletivas, Waleska da Costa, reforçou o simbolismo do momento: “Essa conquista reflete a força de uma comunidade guardiã de saberes e, ao mesmo tempo, abre novas portas para o futuro do artesanato baiano”.

Com o registro, a renda de bilro de Saubara se consolida como patrimônio cultural, motor de identidade e fonte de sustento para gerações de mulheres que seguem fiéis à tradição.