Salvador recebe estreia de espetáculo “Vovô” em terreiro de candomblé

No próximo sábado (9), às 17h, Salvador será palco da estreia do projeto “Raízes que Povoam”, que traz de volta o espetáculo “Vovô” em uma temporada especial por terreiros baianos de candomblé. A primeira apresentação acontece no Terreiro Ilê Asé Odé Faroerã, em Paripe, com entrada gratuita. A montagem presta homenagem à figura do avô negro, símbolo de memória, afeto e resistência nas famílias pretas brasileiras, unindo arte, tradição e ancestralidade.

Antes da apresentação, das 14h às 16h, haverá um workshop gratuito de introdução à produção cultural, voltado exclusivamente para membros do terreiro. A atividade será ministrada por Nell Araújo, fundador e gestor do Instituto de Arte e Cultura da Bahia (IAC-BA) e do Teatroescola, primeira escola artística inclusiva do Nordeste.

Para o Babalorixá Faroci (Andrei Amorim), líder espiritual do Ilê Asé Odé Faroerã, receber a estreia do projeto reforça o papel dos terreiros como espaços de criação, troca e resistência. “Nossa religião não se resume ao toque do atabaque. Ela é arte, cultura, afeto e respeito. É uma honra sermos o terreiro que acolhe a primeira edição desse projeto”, afirmou.

O ator e co-criador da peça, Rafa Martins, destaca que o terreiro é um dos lugares mais simbólicos para receber “Vovô”, por dialogar diretamente com os temas da obra, como amor, cuidado e respeito, mas também tristeza e rancor. Criada em 2021, durante a pandemia, a peça começou no formato virtual e, em 2023, ganhou adaptação presencial sob direção de Leno Sacramento, do Bando de Teatro Olodum. A nova temporada é interpretada por Pedro Zaki e Rafa Martins, trazendo movimentos e expressões inéditas.

O Terreiro Ilê Asé Odé Faroerã, dedicado ao culto de Oxóssi, é referência no subúrbio ferroviário pela atuação social e cultural. Além das atividades religiosas, promove distribuição de refeições a famílias vulneráveis, rodas de capoeira para crianças e a tradicional Festa dos Ibejis.

Com o espetáculo “Vovô”, o espaço se torna cenário para reflexões sobre masculinidade, vínculos familiares e o legado ancestral, fortalecendo a conexão entre arte e identidade afro-brasileira.