Série baiana retrata conflitos familiares em passeio pelo litoral do Subúrbio de Salvador

Os afetos, conflitos e memórias de uma família soteropolitana são o ponto de partida da série Salvador Pelo Avesso, de Férias no Subúrbio, criação autobiográfica de Alan Miranda. Com doses equilibradas de humor e emoção, a produção propõe um olhar íntimo sobre as relações familiares e o pertencimento ao território suburbano de Salvador, tendo como cenário praias e ilhas que fogem do circuito turístico tradicional da capital.

Criada, roteirizada e dirigida por Alan Miranda, a série acompanha uma família durante as férias, quando o pai decide conduzir os filhos a um passeio pelas praias do Subúrbio Ferroviário. A justificativa é simples e provocadora: os jovens reconhecem marcas de alimentos industrializados antes mesmo de um acarajé. A partir desse argumento, o que seria apenas um descanso se transforma em uma travessia emocional marcada por reencontros, tensões geracionais e revisões profundas de afetos e identidade.

Gravada em formato vertical e pensada especialmente para o consumo em celulares, Salvador Pelo Avesso, de Férias no Subúrbio dialoga com as novas linguagens das redes sociais. A estreia acontece no dia 31 de janeiro, no Instagram @salvadorpeloavesso, com a exibição de 12 episódios semanais. Antes disso, a série terá uma pré-estreia em exibição pública no dia 28 de janeiro, às 19h, no SESI Casabranca, em parceria com o projeto Cine Club CBX. A entrada é gratuita, com ingressos disponíveis no Sympla.

O roteiro segue a linha autoral já explorada por Alan em Os Deraldos (Netflix, 2022), ao transformar vivências pessoais em narrativa ficcional. Na série, os atores interpretam seus próprios papéis na vida real: Alan Miranda vive o pai, enquanto Eloá Santiago e Artur Santiago interpretam os filhos. A mãe, Neide, é vivida pela atriz Jane Santa Cruz.

As cenas percorrem locais como São Tomé de Paripe, Ilha de Maré, Boa Viagem e Ribeira, onde a família cruza com pescadores, marisqueiras, vendedores ambulantes e amigos de infância. Ao longo da jornada, temas como adolescência, gênero, sexualidade, ancestralidade, luto e relações familiares atravessam a narrativa, com destaque para o luto não elaborado de Alan pela morte da mãe, presença constante como memória e homenagem.

Mais do que um passeio geográfico, a série constrói um retrato sensível da classe trabalhadora urbana de Salvador e revela um Subúrbio vivo, afetivo e cheio de histórias, reafirmando a diferença entre ser turista e pertencer ao lugar onde se vive.

Foto – Inagê Kaluanã