Setembro Amarelo: neurocientista alerta para sinais de risco de suicídio entre jovens
Um levantamento da Fiocruz Bahia revelou que a taxa de suicídio entre jovens cresceu, em média, 6% ao ano no Brasil entre 2011 e 2022. No mesmo período, as notificações de autolesões na faixa etária de 10 a 24 anos tiveram um aumento expressivo de 29% ao ano.
Durante o Setembro Amarelo, mês de conscientização e prevenção ao suicídio, a neurocientista e psicanalista Ana Chaves explica como reconhecer sinais de alerta e destaca a importância de estratégias de acolhimento e intervenção precoce.
“Todos nós temos sofrimentos emocionais, cada um à sua maneira e, muitas vezes, sem sinais externos. No entanto, em situações graves, sinais de alarme geralmente são perceptíveis em pessoas que vivem o risco de suicídio”, afirma Ana.
Entre os sinais de atenção estão:
- dificuldades de concentração;
- isolamento social;
- alterações no apetite;
- perda de interesse pela aparência e por atividades habituais;
- consumo excessivo de álcool ou drogas;
- falas, textos ou desenhos que expressem desejo de morrer;
- falta de esperança diante do futuro.
Segundo Ana, falar sobre a própria morte não deve ser minimizado. “Esse desejo pode ser expresso de forma escrita, verbal ou por meio de desenhos. É importante estar atento, para que a ajuda ocorra de maneira correta”, reforça.
Estudos do Cidacs/Fiocruz apontam que fatores como desigualdades sociais, pobreza e o aumento dos transtornos mentais também estão diretamente ligados ao crescimento das taxas de suicídio no país.
Intervenção precoce
Reconhecer os sintomas é o primeiro passo. “É muito difícil saber como superar sentimentos suicidas, mas existe ajuda. Conversar com pessoas confiáveis é a primeira opção. Não hesite em pedir ajuda”, orienta Ana.
Além da rede de apoio pessoal, ela recomenda buscar atendimento especializado. No Brasil, o Centro de Valorização da Vida (CVV) atua de forma gratuita e sigilosa, oferecendo escuta e apoio emocional. O contato pode ser feito pelo número 188 (24h, de qualquer telefone) ou pelo site www.cvv.org.br, que também disponibiliza chat e e-mail.
Quem é Ana Chaves
Neurocientista e psicanalista, Ana Chaves se dedica ao estudo do funcionamento cerebral e ao desenvolvimento humano. É colunista do UOL e do Valor Econômico, ministra palestras, mentorias e já impactou mais de 5 mil pessoas com sua abordagem holística e científica.