Setor de Alimentação Fora do Lar lidera geração de empregos formais e aposta no trabalho intermitente

O setor de alimentação fora do lar (AFL) — que reúne bares, restaurantes e similares — tem se consolidado como um dos principais motores da economia brasileira. Entre 2006 e 2023, o segmento registrou um crescimento de 98% na geração de empregos formais, quase o dobro da média nacional (56%), segundo dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS).

Mesmo após a forte retração de 2020, quando perdeu mais de 272 mil postos de trabalho em função da pandemia, o setor se recuperou rapidamente. Em 2023, alcançou o maior patamar da série histórica, com 1,67 milhão de vínculos formais. “O setor de alimentação fora do lar é protagonista na geração de empregos no Brasil. Mas a alta taxa de informalidade, que atinge 41% dos trabalhadores, ainda é um desafio a superar”, afirma Paulo Solmucci, presidente executivo da Abrasel.

Para o dirigente, medidas como a desoneração da folha de pagamentos, previstas no Plano de Restauração da entidade, podem estimular novas contratações formais e reduzir a informalidade.

Trabalho intermitente ganha força

Uma das alternativas estratégicas que vem ganhando espaço no setor é o trabalho intermitente, modalidade criada pela reforma trabalhista de 2017. O regime permite a contratação formal por hora, com flexibilidade de jornada, atendendo tanto à demanda das empresas quanto à disponibilidade dos trabalhadores.

Entre 2017 e 2023, o número de contratos intermitentes saltou de 315 para 15,8 mil na alimentação fora do lar — uma taxa média anual de crescimento de 92,1%. Os bares se destacam nesse cenário, passando de 2,5% para 24,2% dos vínculos intermitentes no segmento.

Apesar da expansão, especialistas apontam que o potencial ainda está longe de ser explorado. Nos Estados Unidos, por exemplo, 56% da força de trabalho da alimentação fora do lar atua em moldes semelhantes, no sistema “part-time”.

Para Franklin Vitor de Souza Abreu, CEO da Tavola Costelaria, em Viçosa (MG), que adota o regime há um ano, os ganhos são claros: “As faltas e atrasos praticamente desapareceram. Mesmo com a hora mais cara, vale a pena, porque pagamos só pelas horas trabalhadas. Para o meu negócio, só trouxe benefícios”.

Com foco em orientar empreendedores, a Abrasel lançou uma cartilha sobre contratação intermitente, disponível em seu site.