Show Jangada promove encontro entre jazz, eletrônica e ancestralidade na Casa de Castro Alves

A Casa de Castro Alves, em Salvador, recebe no dia 25 de janeiro, às 19h, o Show Jangada, apresentação gratuita que integra a programação da VII edição do Movimento Irun. No palco, os músicos Ícaro Santiago e Eric Mazzone conduzem o público por uma travessia sonora que mistura jazz contemporâneo, música eletrônica e percussões de matriz ancestral, em uma experiência musical marcada pela experimentação e pelo diálogo entre tradição e futuro.

Inspirado na imagem simbólica da jangada, o show parte da ideia de travessia como princípio criativo. Assim como a embarcação se orienta pelos ventos, marés e pela sabedoria dos corpos que a conduzem, a apresentação propõe um percurso construído a partir da escuta, da intuição e do risco. A música não se fixa em um único território estético, mas se desloca entre linguagens, tempos e referências, assumindo o movimento como essência.

A paisagem sonora do Jangada é formada pela articulação entre beats eletrônicos, sintetizadores, atabaques e células rítmicas, criando um ambiente híbrido onde tecnologia e ancestralidade coexistem de forma orgânica. Os elementos percussivos evocam rituais e memórias coletivas, enquanto os recursos eletrônicos projetam o espetáculo para um campo futurista e aberto à improvisação. Cada apresentação se configura como uma nova travessia, única e irrepetível.

Ícaro Santiago e Eric Mazzone são músicos e produtores atuantes no cenário musical da Bahia, com participação em projetos que dialogam com diferentes territórios do Brasil e do exterior. No encontro apresentado no Movimento Irun, eles trazem um repertório de músicas instrumentais autorais, além de releituras de canções populares, sempre a partir de uma estética futurista enraizada na ancestralidade negra.

O espetáculo estabelece conexões diretas com tradições musicais dos territórios populares, incorporando referências do jazz em diálogo com rodas, terreiros, festas periféricas e comunidades rurais. Essa construção reforça a música como prática coletiva, ligada ao cotidiano, à memória e à experiência histórica dos povos negros.

O Show Jangada dialoga diretamente com os princípios do Movimento Irun, que reúne povos originários, afrodescendentes, comunidades de terreiro e artistas aliados em torno da valorização cultural, da espiritualidade e da defesa de modos de vida sustentáveis. Nesse encontro, a arte se afirma como ferramenta de resistência, partilha e construção de futuros mais justos e conectados à Terra.

Crédito das Fotos

Foto Luciano Payayá Fotografado:

Tamanduá Tupinambá, do Território Tupinambá de Olivença