Shows milionários em Nordestina contrastam com Bolsa Mãe suspenso e crise política

A cidade de Nordestina, no sertão baiano, voltou ao centro das discussões após a realização de duas festas tradicionais: o Dia do Evangélico e a Missa dos Vaqueiros e Fazendeiros. O motivo da polêmica vai além da importância cultural dos eventos — o debate gira em torno dos altos valores pagos a artistas e da forma como a Prefeitura vem aplicando os recursos públicos.

De acordo com dados do Diário Oficial do Município, os contratos mais recentes ultrapassam meio milhão de reais. Entre os cachês estão R$ 220 mil para Fernanda Brum, R$ 150 mil para a banda Buscapé Arreio de Ouro, R$ 120 mil para Israel Peruano, além de outros valores que somam um investimento expressivo para uma cidade de pequeno porte.

Apesar da criação de uma lei municipal que garante espaço para artistas locais em festas financiadas com dinheiro público — promulgada pela Câmara em setembro, mesmo após a prefeita se recusar a sancioná-la — a participação desses artistas ainda é tímida, o que mantém o descontentamento entre a classe cultural.

Enquanto os gastos com eventos crescem, o programa Bolsa Mãe, que ajudava famílias em situação de vulnerabilidade, segue suspenso desde janeiro de 2025, sem explicações oficiais. O benefício garantia apoio básico para alimentação, gás e energia, e sua ausência tem ampliado as dificuldades de centenas de famílias.

A discrepância entre as prioridades é gritante: apenas em 2025, as festas do São João, aniversário da cidade, eventos religiosos e shows já consumiram quase R$ 5 milhões dos cofres públicos — valor suficiente para financiar 31 meses do Bolsa Mãe para as mil famílias cadastradas.

Além das críticas sociais, Nordestina enfrenta um cenário político delicado. No próximo dia 10 de outubro, a prefeita será julgada em duas audiências por compra de votos e abuso de poder político nas eleições de 2024, processos que podem definir o futuro da gestão.

Sem resposta oficial da Prefeitura, a população expressa frustração com o contraste entre festas luxuosas e serviços públicos precários — um retrato da desigualdade e da falta de planejamento que ainda marca o interior da Bahia.