Sinais ignorados à mesa podem revelar doença inflamatória em crianças
Demorar para comer, recusar alimentos sólidos, mastigar excessivamente ou precisar de água a cada garfada nem sempre é apenas “manha” infantil. Especialistas alertam que esses comportamentos podem indicar esofagite eosinofílica, uma doença inflamatória crônica que afeta o esôfago e costuma passar despercebida por anos, principalmente em crianças.
O alerta ganha força após o Dia Mundial da Esofagite Eosinofílica, lembrado em 22 de maio, data criada para ampliar a conscientização sobre a condição, ainda pouco conhecida entre as famílias. Segundo a alergologista Dra. Leila Borges, da Clínica IBIS, o diagnóstico costuma ser confundido com seletividade alimentar ou dificuldade comportamental.
“A criança não consegue explicar o desconforto. Ela adapta a forma de comer para evitar dor ao engolir, mas isso muitas vezes é interpretado pelos adultos como teimosia”, explica a médica. Entre os principais sinais estão engasgos frequentes, preferência por alimentos pastosos, vômitos durante as refeições e dificuldade persistente para engolir.
A doença é mais comum em pacientes com histórico de alergias, asma, rinite ou dermatite atópica. De acordo com a especialista, quando esses quadros aparecem associados a dificuldades alimentares, a investigação médica deve ser imediata.
Além dos impactos físicos, a esofagite eosinofílica também pode afetar o emocional da criança. O medo de engasgar em público, a ansiedade antes das refeições e a recusa em participar de eventos sociais acabam comprometendo a convivência e a qualidade de vida da família.
Sem tratamento adequado, a inflamação pode provocar estreitamento do esôfago e agravar ainda mais a dificuldade para se alimentar. O diagnóstico definitivo é feito por meio de endoscopia digestiva alta com biópsias do esôfago, já que em muitos casos a doença não apresenta alterações visíveis no exame convencional.
Apesar de crônica, a condição tem tratamento e pode ser controlada com acompanhamento especializado. O manejo inclui mudanças alimentares, medicamentos e suporte multidisciplinar com alergologista, gastroenterologista, nutricionista e apoio psicológico.
A recomendação dos especialistas é que pais e responsáveis fiquem atentos aos sinais persistentes durante as refeições. “Quando a alimentação vira sofrimento, é preciso investigar. O diagnóstico precoce evita complicações e preserva o desenvolvimento da criança”, reforça Leila Borges.