Tributo a Jimmy Cliff reúne regueiros no Pelourinho em noite de homenagem
O Pelourinho recebeu, na noite desta terça-feira (25), uma das edições mais emocionadas da tradicional Terça da Bênção. O Negro’s Bar, localizado ao lado da antiga Deltur, promoveu um tributo especial ao cantor jamaicano Jimmy Cliff, que faleceu recentemente aos 81 anos. A partir das 18h, DJ Branco e Tulani Massai comandaram o set no projeto “Terça do Reggae Sound System”, reunindo fãs, artistas e a velha guarda regueira de Salvador para celebrar o legado do ícone que ajudou a firmar a Bahia como um dos principais polos do reggae no Brasil.
A homenagem ganhou um tom ainda mais forte porque Jimmy Cliff tem uma relação direta com a história do reggae na capital baiana. Em sua primeira visita a Salvador, ele passou justamente pelos espaços idealizados por Albino Apolinário — o primeiro Bar do Reggae do Pelourinho e a Praça do Reggae — locais que influenciaram gerações e ajudaram a consolidar o ritmo jamaicano como parte da identidade cultural do estado. Por isso, o tributo de ontem foi visto por muitos como uma forma de devolver carinho e gratidão ao artista que marcou a trajetória de tantos regueiros baianos.
Durante a noite, o clima foi de comunhão. Do Recôncavo ao Centro Histórico, o reggae ecoou forte, relembrando músicas, memórias e a influência que Cliff deixou no movimento. O público atendeu ao chamado da organização, que convocou “a massa regueira” para ocupar as ruas — e ocupou mesmo. Como manda a tradição, o evento foi totalmente gratuito, reforçando a proposta de manter viva uma cultura que, apesar de engajada e afetiva, ainda sofre marginalização dentro da cena musical mais ampla.
A iniciativa do Negro’s Bar reafirma o Pelourinho como ponto de referência para o reggae na Bahia, especialmente num momento de despedida e celebração da obra de Jimmy Cliff. A noite foi de homenagem, mas também de reafirmação: o reggae segue vivo, pulsando e resistindo no coração de Salvador.