Uso de inteligência artificial transforma rotina de estudos de jovens brasileiros
A presença da inteligência artificial na rotina de jovens e adolescentes já é uma realidade no Brasil e vem transformando a forma como eles estudam, pesquisam e produzem conteúdo. Ferramentas capazes de gerar textos, imagens e respostas em segundos estão cada vez mais presentes no ambiente escolar e levantam um debate importante sobre aprendizagem, autonomia e uso responsável da tecnologia.
Segundo dados recentes, 92% das crianças e adolescentes brasileiros entre 9 e 17 anos são usuários da internet, o que representa cerca de 24,5 milhões de pessoas. Dentro desse universo, quase dois terços já utilizam ferramentas de inteligência artificial generativa em suas atividades do dia a dia, especialmente para fins educacionais. O levantamento aponta que 59% recorrem à tecnologia para pesquisas escolares, 42% para buscar informações gerais, 21% para criação de textos e imagens e 10% para conversas sobre questões pessoais.
Para especialistas, o uso dessas ferramentas pode trazer benefícios como autonomia e otimização do tempo, mas também exige atenção. O Diretor de Ensino do Colégio Anchieta, da Inspira Rede de Educadores, alerta que o uso sem orientação pode impactar habilidades essenciais, como escrita, interpretação de texto e criatividade. A preocupação central é evitar que a inteligência artificial substitua o processo de aprendizagem, em vez de atuar como apoio.
O avanço do uso da tecnologia entre adolescentes também reforça a necessidade de educação digital dentro e fora das escolas. O tema envolve ainda questões como segurança de dados, exposição online e confiabilidade das informações geradas por sistemas de IA. A orientação, segundo especialistas, deve incentivar o pensamento crítico, a checagem de fontes e o entendimento dos limites dessas ferramentas.
Nesse contexto, o desafio para escolas e famílias é equilibrar inovação e responsabilidade, garantindo que a inteligência artificial seja utilizada de forma consciente. A expectativa é que a tecnologia siga como aliada no processo educacional, estimulando curiosidade e criatividade sem comprometer o desenvolvimento intelectual dos jovens.