Alta nos casos de feminicídio no Brasil reforça alerta sobre violência psicológica nas relações
O aumento dos casos de violência contra a mulher no Brasil tem acendido um alerta entre especialistas, principalmente em relação à violência psicológica, considerada uma das formas mais silenciosas e difíceis de identificar dentro de relações abusivas. Dados recentes do Fórum Brasileiro de Segurança Pública apontam que o país registrou 1.568 feminicídios em 2025, maior número da última década e um crescimento de 4,7% em comparação ao ano anterior.
Além disso, levantamentos da Rede Observatórios revelam que, somente em nove estados monitorados, cerca de 4.558 mulheres sofreram algum tipo de violência ao longo do ano, representando aumento de 9% em relação a 2024.
Para a psicóloga clínica e jurídica Leila Tibiriçá de Carvalho, especialista em conflitos familiares, a violência psicológica costuma ser o início de ciclos de agressão mais graves. Segundo ela, esse tipo de abuso geralmente se instala de forma gradual, por meio de manipulação emocional, controle excessivo e desqualificação constante da vítima.
“A violência psicológica faz com que a pessoa duvide de si mesma e perca referências emocionais importantes. Isso dificulta o reconhecimento do abuso e também a busca por ajuda”, explica a especialista.
Leila destaca que muitos casos de violência extrema são precedidos por comportamentos considerados “normalizados” dentro das relações. Para ela, compreender os sinais iniciais é fundamental para evitar o agravamento das agressões.
Outro ponto destacado pela psicóloga é o impacto indireto causado em crianças e adolescentes que convivem em ambientes marcados por violência doméstica. Segundo a especialista, mesmo quando não são vítimas diretas, eles podem desenvolver traumas emocionais e reproduzir padrões abusivos nas relações futuras.
Com mais de 20 anos de atuação nas áreas de Psicologia Clínica e Jurídica, Leila Tibiriçá ressalta que ampliar o debate sobre saúde mental, relações familiares e violência de gênero é uma estratégia importante para prevenção.
“Nomear a violência é o primeiro passo para romper o ciclo. Quando ela é naturalizada, tende a se repetir e se intensificar”, conclui.