Coren-BA registra alta de 43% em casos de violência
A violência contra profissionais de enfermagem acendeu um alerta na Bahia! O Conselho Regional de Enfermagem da Bahia (Coren-BA) lançou, em outubro, uma campanha de combate às agressões contra enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem. A iniciativa surge após o órgão registrar 233 processos relacionados à violência nos primeiros oito meses de 2026, número 43% superior ao contabilizado durante todo o ano de 2025.
E os números revelam um cenário preocupante. Entre 2024 e agosto de 2026, o Coren-BA contabilizou 565 processos, sendo 169 em 2024, 163 em 2025 e 233 apenas até agosto deste ano.
Entre as ocorrências relatadas estão agressões físicas, ameaças, violência verbal, assédio moral, injúria, discriminação racial, perseguição e abuso de autoridade.
Um dos episódios que chamou a atenção aconteceu no Hospital Professor Eládio Lassére, em Cajazeiras, Salvador, onde três enfermeiras foram agredidas por um acompanhante durante o plantão.
Segundo o presidente do Coren-BA, Davi Apóstolo, o aumento das denúncias motivou a mobilização.
“A gente ficou alarmado com a quantidade exagerada de agressões, seja física, verbal ou, muitas vezes, até sexual, que os profissionais estão sofrendo na ponta”, afirmou.
A campanha também busca esclarecer uma situação comum nas unidades de saúde: a demora no atendimento, a superlotação e a falta de materiais não são responsabilidades individuais dos profissionais de enfermagem.
O conselho lembra que os atendimentos seguem critérios de gravidade e risco, e que a insatisfação com os serviços não justifica agressões.
Como denunciar violência contra profissionais de enfermagem?
O Coren-BA disponibiliza um canal exclusivo para receber denúncias de agressões físicas e verbais. Os relatos podem ser encaminhados para denunciasassedio@coren-ba.gov.br.
A orientação é que as vítimas também registrem boletim de ocorrência e reúnam provas, como fotografias, documentos e testemunhas.
Além da campanha, o conselho intensifica ações de fiscalização e acompanha o cumprimento da legislação que garante espaços adequados de repouso para profissionais de enfermagem.
A iniciativa reforça que cobrar melhorias na saúde é um direito da população, mas ameaçar ou agredir quem presta atendimento é uma forma de violência que precisa ser combatida.
Foto: Divulgação/Canva