Inflamação silenciosa causada pela obesidade infantil preocupa especialistas
Muito além do ganho de peso, a obesidade infantil pode desencadear um processo inflamatório silencioso capaz de comprometer a saúde das crianças e aumentar o risco de doenças crônicas na vida adulta. O alerta é reforçado por especialistas diante do crescimento dos casos no Brasil, cenário que já é considerado um dos principais desafios de saúde pública da atualidade.
Dados divulgados pela Fiocruz Bahia apontam que o sobrepeso atinge 30% dos meninos e 28,2% das meninas aos 9 anos de idade. O avanço dos índices tem sido associado a hábitos cada vez mais comuns entre crianças e adolescentes, como alimentação rica em produtos ultraprocessados, consumo excessivo de açúcar, sedentarismo e aumento do tempo de exposição às telas.
Segundo a gastropediatra Dra. Emanuele Silveira, da Clínica IBIS, a obesidade deve ser tratada como uma doença que afeta diversos sistemas do organismo. “Ela provoca alterações metabólicas que aumentam o risco de hipertensão, diabetes tipo 2, síndrome metabólica, doenças cardiovasculares e gordura no fígado. Não se trata apenas de uma questão estética”, destaca.
A especialista chama atenção para um fenômeno cada vez mais estudado pela comunidade científica: a inflamação crônica de baixo grau. O excesso de gordura corporal estimula a produção de substâncias inflamatórias que podem interferir no funcionamento do organismo sem provocar sintomas aparentes.
“Muitas vezes a criança não apresenta sinais evidentes, mas o corpo já está sofrendo alterações que podem gerar consequências importantes no futuro”, explica a médica.
Os reflexos podem surgir ainda na infância, com aumento da pressão arterial, alterações nos níveis de colesterol e glicose, além de problemas respiratórios. Outro fator preocupante é a permanência da obesidade ao longo da vida. Dados do Ministério da Saúde indicam que cerca de 80% dos adolescentes com obesidade permanecem obesos na fase adulta.
Para Dra. Emanuele, um dos erros mais comuns é acreditar que o excesso de peso será corrigido naturalmente com o crescimento. Ela recomenda atenção a sinais como dificuldade para praticar atividades físicas, ganho excessivo de peso e histórico familiar de doenças metabólicas.
A especialista defende que o combate à obesidade infantil deve envolver toda a família, com adoção de hábitos saudáveis, alimentação equilibrada, prática regular de atividades físicas e acompanhamento profissional. “Quando a família participa desse processo, a criança encontra um ambiente favorável para construir uma relação saudável com a alimentação e com a própria saúde”, conclui.