Projeto Ordem Questionada fortalece teatro negro em Salvador

Após oito meses de atividades, o projeto “Ordem Questionada”, do Coletivo Subverso das Artes, encerrou sua programação com formação gratuita para artistas negros e circulação de espetáculos em cinco bairros de Salvador. Ao todo, 20 participantes passaram por oficinas de criação, produção e gestão teatral.

O encerramento aconteceu no Colégio Estadual Vera Lux, em Nova Brasília, com a última apresentação de “Pedaços de Mim (Fragmentos de Nós)”. Durante o projeto, o espetáculo e a montagem “Pai Contra Mãe” alcançaram um público estimado de 180 pessoas.

As atividades também passaram pelo Candeal, Engenho Velho de Brotas, Engenho Velho da Federação e Santo Inácio, levando apresentações gratuitas a escolas e espaços culturais.

Para o ator Ahadi Oliveira, que participou das duas montagens, a iniciativa teve impacto direto em sua trajetória artística. Segundo ele, o projeto possibilitou trabalhar personagens ligados a desigualdades sociais, violências e falta de acesso a direitos.

“Estar inserido em um projeto que falasse sobre minha vivência e me desse a oportunidade de levar isso para espaços educacionais me pareceu algo maravilhoso”, afirma.

A formação abordou dramaturgia, direção teatral, direção musical, atuação, cenografia, comunicação, formação de público e gestão de produções. De acordo com Laura Sacramento, coordenadora do Coletivo Subverso das Artes, o processo ampliou a autonomia dos participantes e fortaleceu o diálogo com os territórios.

Além da qualificação técnica, o projeto estimulou a criação de narrativas sobre identidade, justiça, memória histórica e desigualdades sociais. Após as apresentações, o público participou de conversas com os artistas e integrantes da equipe.

Para Claudia Urpia Rosa, coordenadora pedagógica da Escola Municipal Makota Valdina, a presença do projeto transformou a rotina escolar e ampliou o contato de alunos e professores com o teatro negro.

O “Ordem Questionada” foi contemplado pelos editais da Política Nacional Aldir Blanc Bahia, com apoio do Governo da Bahia, por meio da Secretaria de Cultura do Estado, e do Ministério da Cultura.