Junho Violeta acende alerta para violência silenciosa contra idosos dentro de casa
Quando o assunto é violência contra a pessoa idosa, muitas pessoas associam o problema apenas a agressões físicas ou maus-tratos evidentes. No entanto, especialistas alertam que situações como abandono emocional, negligência afetiva e isolamento social também representam formas de violência capazes de provocar impactos profundos na saúde mental e na qualidade de vida dos idosos.
O tema ganha destaque durante a campanha Junho Violeta, que busca conscientizar a população sobre a proteção e os direitos da pessoa idosa. Além do combate às agressões mais visíveis, a mobilização chama atenção para comportamentos que, muitas vezes, passam despercebidos dentro das famílias e da sociedade.
Segundo a psicóloga analista do comportamento da Hapvida, Fernanda Santos Quirino, é importante compreender que isolamento social e solidão não são a mesma coisa. Enquanto o isolamento está relacionado à redução das interações sociais, a solidão diz respeito à forma como cada indivíduo percebe suas relações e conexões afetivas.
Com o avanço da idade, fatores como aposentadoria, perda de familiares e amigos, dificuldades de mobilidade e mudanças na rotina podem contribuir para o afastamento social. Em muitos casos, idosos também deixam de participar de atividades familiares e decisões importantes, o que pode aumentar sentimentos de exclusão e desvalorização.
Os reflexos desse cenário vão além do aspecto emocional. Alterações de humor, tristeza frequente, desmotivação, irritabilidade e perda do interesse por atividades antes prazerosas podem surgir como sinais de alerta. Mudanças nos hábitos de sono, alimentação e autocuidado também merecem atenção.
De acordo com a especialista, a construção de uma rede de apoio sólida é fundamental para garantir bem-estar e qualidade de vida durante o envelhecimento. Familiares, amigos, vizinhos, grupos de convivência e profissionais podem contribuir para fortalecer vínculos e promover o sentimento de pertencimento.
A participação em atividades coletivas, encontros sociais, passeios e a manutenção de contatos frequentes são algumas das estratégias que ajudam a combater o isolamento e estimulam uma vida mais ativa e saudável.
Para Fernanda Quirino, ampliar o debate sobre essas formas silenciosas de violência é essencial. “Nem toda violência deixa marcas visíveis. O abandono emocional, a negligência afetiva e o isolamento social podem causar sofrimento significativo e comprometer a saúde mental da pessoa idosa. Respeito, escuta, inclusão e valorização também são direitos fundamentais”, destaca.
A campanha Junho Violeta reforça a importância de um olhar mais atento para o envelhecimento, incentivando a sociedade a promover relações mais acolhedoras e a garantir que os idosos permaneçam integrados à vida familiar e comunitária.