Menopausa vai além dos sintomas físicos e exige cuidado integral

Ondas de calor, alterações no sono, irritabilidade, queda da libido e mudanças emocionais estão entre os sinais que podem acompanhar o climatério e a menopausa. Especialistas defendem que essa fase seja observada de forma ampla, considerando não apenas as alterações hormonais, mas também os impactos na autoestima, nas relações e na qualidade de vida da mulher.

A terapeuta integrativa Ayeska Azevedo explica que muitas mulheres chegam ao consultório com diferentes sintomas sem relacioná-los à transição para a menopausa. Para ela, o acompanhamento deve considerar rotina, saúde física, histórico emocional e relações pessoais.

“Muitas mulheres chegam ao meu consultório apresentando um combo desses sintomas, mas têm dúvidas se eles são realmente parte do processo natural do amadurecimento da mulher”, afirma. A terapeuta ressalta que o acompanhamento médico deve fazer parte desse processo antes da adoção de tratamentos complementares.

Em 2025, o Ministério da Saúde publicou um Informe de Evidência Clínica dedicado às Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS) na atenção integral à saúde da mulher. O documento aborda recursos utilizados como complemento aos cuidados convencionais e inclui evidências relacionadas ao climatério.

O Ministério da Saúde também publicou, em 2026, orientações específicas para qualificar o cuidado de pessoas durante a transição para a menopausa, menopausa e pós-menopausa na Atenção Primária à Saúde.

Entre as práticas integrativas citadas no atendimento à saúde da mulher estão recursos como acupuntura, yoga e outras abordagens que devem ser utilizados como complemento, e não como substituição ao acompanhamento médico.

A terapia floral é uma das ferramentas utilizadas por Ayeska. Segundo a terapeuta, o objetivo é trabalhar aspectos emocionais que podem ganhar intensidade nessa fase da vida.

“É importante considerar que muitos dos sintomas do climatério e da menopausa mexem com o lado emocional da mulher, com a forma como ela se vê e como participa da vida”, destaca.

As Práticas Integrativas e Complementares também vêm ganhando espaço no SUS. Dados divulgados sobre a política nacional apontam mais de 7 milhões de atendimentos realizados em 2024.

A recomendação é que sintomas persistentes ou que comprometam a qualidade de vida sejam avaliados por profissionais de saúde, permitindo a definição do acompanhamento mais adequado para cada mulher.