Neuralgia do trigêmeo provoca dor intensa no rosto e pode ser confundida com outras doenças

O relato recente da apresentadora Lívia Andrade sobre o diagnóstico de neuralgia do trigêmeo acendeu um alerta sobre uma condição neurológica que causa dores extremamente intensas na face. Muitas vezes confundida com dor de dente, sinusite ou enxaqueca, a doença ocorre quando o nervo trigêmeo — responsável pela sensibilidade do rosto — sofre irritação ou compressão.

De acordo com a neurologista Priscila Rosa, da Clínica IBIS, o problema está ligado a uma alteração no funcionamento do nervo. “Quando há compressão, pode ocorrer uma lesão nas fibras nervosas, fazendo com que o nervo passe a reagir de forma exagerada aos estímulos, gerando crises de dor muito intensas”, explica.

A neuralgia do trigêmeo se manifesta com episódios súbitos e curtos de dor facial, frequentemente descritos como choques elétricos. “As dores podem surgir como choques, queimação ou fisgadas, durando segundos ou minutos, mas podendo se repetir várias vezes ao longo do dia”, destaca a especialista.

Outro fator que chama atenção é a forma como as crises acontecem. Diferente de outras dores, elas não costumam responder a analgésicos comuns e podem ser desencadeadas por estímulos simples, como um leve toque no rosto. Além disso, a dor segue o trajeto do nervo afetado.

A condição é mais comum em mulheres acima dos 50 anos, mas também pode atingir homens e pessoas mais jovens. Em alguns casos, está associada a outras doenças, como a esclerose múltipla, além de processos inflamatórios ou infecções virais que afetam os nervos.

O tratamento varia conforme a intensidade dos sintomas e a causa do problema. Medicamentos específicos, como a carbamazepina, ajudam a controlar a atividade do nervo e reduzir as crises de dor. Em situações mais complexas, podem ser indicados procedimentos minimamente invasivos ou cirurgias.

Entre as opções estão a compressão do gânglio por balão, aplicação de toxina botulínica e a descompressão microvascular, cirurgia que alivia a pressão sobre o nervo. Apesar do impacto na qualidade de vida, o diagnóstico correto e o acompanhamento médico permitem controlar a doença e reduzir significativamente as crises.