Paternidade pode provocar mudanças no cérebro masculino

A chegada de um filho pode provocar mudanças não apenas na rotina e no comportamento dos homens, mas também no cérebro. Estudos sobre paternidade e neuroplasticidade indicam que pais de primeira viagem podem apresentar alterações em regiões cerebrais ligadas à atenção, percepção, vínculo e adaptação ao cuidado com o bebê.

Uma pesquisa publicada na revista científica Cerebral Cortex acompanhou homens antes e depois do nascimento do primeiro filho e identificou reduções no volume cortical em áreas relacionadas às redes de modo padrão e de processamento visual. Os próprios pesquisadores ressaltam que os achados ainda precisam ser aprofundados para esclarecer quando essas mudanças acontecem e qual é exatamente sua função.

Outros estudos também apontam alterações hormonais e funcionais durante a transição para a paternidade, envolvendo substâncias como testosterona, oxitocina, prolactina e cortisol, além de mudanças em redes cerebrais relacionadas à empatia, processamento emocional e atenção.

Para a psicóloga Bianca Reis, a presença e o envolvimento de quem exerce a função paterna podem contribuir para a socialização, o sentimento de pertencimento e a segurança emocional da criança.

A especialista destaca ainda que essas funções de cuidado não dependem do gênero ou de um modelo único de família. Segundo Bianca, afeto, limites, disciplina, proteção e vínculo podem ser exercidos em diferentes configurações familiares.

Pesquisas recentes também sugerem que algumas alterações na massa cinzenta de novos pais estão associadas ao maior envolvimento com os filhos e à adaptação à nova rotina familiar.

Para Bianca, discutir uma paternidade mais ativa também amplia o debate sobre masculinidades, relações familiares e formas mais saudáveis de participação dos homens na criação dos filhos.