Pesquisa baiana cria alternativa à manteiga de cacau e pode reduzir custo do chocolate
Uma pesquisa desenvolvida na Bahia pode transformar a produção de chocolate no Brasil. A cientista Estefânia Prates Rodrigues criou uma alternativa inédita à manteiga de cacau a partir da gordura da amêndoa de macaúba, uma solução mais acessível e com grande potencial para a indústria alimentícia.
O estudo foi realizado durante o mestrado da pesquisadora, que também é professora do Centro Universitário UniFG, integrante do Ecossistema Ânima. A inovação já foi patenteada pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial e pode ser aplicada não só na produção de chocolate, mas também nos setores cosmético e de biodiesel.
De acordo com Estefânia, a proposta é utilizar o óleo da amêndoa da macaúba totalmente hidrogenado como substituto da manteiga de cacau, mantendo características essenciais como sabor, textura e qualidade. A pesquisa avaliou propriedades físico-químicas e de cristalização para garantir a viabilidade do uso industrial.
Na prática, a descoberta pode reduzir custos de produção e incentivar o uso de matérias-primas nacionais, fortalecendo a cadeia produtiva brasileira. Além disso, o estudo aponta benefícios à saúde, já que o componente pode ser uma alternativa sem gordura trans — substância associada a riscos cardiovasculares e cujo uso foi restringido nos alimentos.
A macaúba, base da pesquisa, é uma palmeira nativa do Brasil presente em biomas como Cerrado, Mata Atlântica e Caatinga. Resistente e de fácil cultivo, a planta se destaca pela alta disponibilidade e potencial econômico.
Segundo a pesquisadora, o uso da hidrogenação total ainda é recente, mas abre novas possibilidades para o desenvolvimento de produtos mais seguros e inovadores. A tecnologia segue em processo de licenciamento e pode representar um avanço significativo para diferentes setores industriais.