Bahia lidera Nordeste em processos sobre jornada de trabalho, aponta levantamento
A Bahia registrou mais de 81 mil processos trabalhistas relacionados à duração da jornada de trabalho entre 2023 e 2026, liderando o ranking do Nordeste e ocupando a sexta posição no Brasil. Os dados fazem parte de um levantamento inédito da plataforma de dados jurídicos Escavador, que identificou mais de 1,8 milhão de ações em todo o país no período, em meio ao debate sobre o fim da escala 6×1 e a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas.
Segundo o estudo, o Brasil contabiliza, em média, 1,3 mil novos processos por dia envolvendo questões ligadas à jornada de trabalho. Entre os principais temas discutidos na Justiça estão alteração da jornada, regime 12×36, horas extras, banco de horas, repouso semanal remunerado, acordos individuais e coletivos, além de teletrabalho e trabalho em domicílio.
Apesar da tramitação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019, que amplia o descanso remunerado para dois dias, o volume de ações permanece elevado. No primeiro semestre de 2026, já foram registrados cerca de 240 mil processos, mantendo a média anual próxima de 470 mil ações.
O levantamento aponta uma redução gradual no número de processos ao longo dos anos. Em 2023 foram contabilizadas 604 mil ações, número que caiu para 535 mil em 2024 e para 502 mil em 2025, representando uma redução de 17% no período analisado.
De acordo com a coordenadora jurídica e DPO do Escavador, Dalila Pinheiro, os números demonstram que os conflitos relacionados à organização da jornada continuam entre os principais desafios das relações de trabalho no país.
Segundo ela, temas como horas extras, compensação de jornada, banco de horas e diferentes regimes de trabalho seguem gerando interpretações divergentes entre empresas e trabalhadores, evidenciando a necessidade de maior segurança jurídica na aplicação da legislação trabalhista.
No ranking nacional, São Paulo lidera com 759 mil processos, seguido por Rio de Janeiro (193 mil), Minas Gerais (151 mil), Rio Grande do Sul (146 mil) e Paraná (120 mil). A Bahia aparece na sexta colocação, com 81 mil ações, à frente de Pernambuco, que registrou 75 mil processos, consolidando o estado como líder do Nordeste nesse tipo de demanda judicial.