Bahia registra alta incidência de doença falciforme e reforça alerta para diagnóstico precoce

Na semana de conscientização da doença falciforme, lembrada nesta sexta-feira (19), a Bahia volta a chamar atenção por ser um dos estados com maior incidência da condição genética no Brasil. A enfermidade, que afeta a produção da hemoglobina responsável pelo transporte de oxigênio no sangue, impacta diretamente a qualidade de vida de milhares de pessoas e reforça a importância do diagnóstico precoce e do acompanhamento contínuo.

A Doença falciforme ocorre quando há alteração na hemoglobina, levando à formação de hemácias em formato de foice, o que dificulta a circulação sanguínea e pode provocar crises de dor, anemia crônica e complicações em órgãos como pulmões, rins e cérebro.

Dados do Ministério da Saúde apontam a dimensão do problema: entre janeiro e abril deste ano, foram registrados mais de 3,3 milhões de atendimentos ambulatoriais relacionados à doença no Brasil, sendo mais de 537 mil apenas na Bahia. Em 2024, o estado concentrou mais de 1,4 milhão de atendimentos, dentro de um total nacional superior a 10 milhões.

Segundo a hematologista do Sabin Diagnóstico e Saúde, Fernanda Queiroz, a maior prevalência na Bahia está ligada à ancestralidade da população. Ela explica que a mutação genética tem origem africana e se tornou mais frequente no estado devido à forte presença de população afrodescendente.

A especialista reforça que o teste do pezinho é essencial para identificar a doença ainda nos primeiros dias de vida. O diagnóstico precoce permite início imediato do acompanhamento médico, reduzindo complicações, prevenindo infecções graves e aumentando a expectativa de vida dos pacientes.

Apesar dos avanços no tratamento, como medicamentos mais modernos e o transplante de células-tronco em casos selecionados, ainda não há cura amplamente disponível no Brasil. Por isso, o cuidado contínuo, a vacinação em dia, a hidratação adequada e o reconhecimento rápido de sinais de alerta são fundamentais.

A doença falciforme segue como um desafio de saúde pública na Bahia, exigindo informação, acesso ao diagnóstico e fortalecimento da rede de atenção especializada para garantir melhor qualidade de vida aos pacientes.