Bronquiolite lota emergências pediátricas no inverno e acende alerta entre especialistas
Com a chegada do inverno, as emergências pediátricas em todo o país registram aumento expressivo de atendimentos por doenças respiratórias, e a bronquiolite aparece como uma das principais responsáveis pela lotação das unidades de saúde. A doença, que atinge principalmente bebês nos primeiros anos de vida, pode evoluir rapidamente de um quadro leve para complicações graves.
A bronquiolite viral aguda é uma inflamação dos bronquíolos, pequenas vias aéreas dos pulmões, e tem como principal causador o Vírus Sincicial Respiratório (VSR), responsável por até 80% dos casos, segundo o Ministério da Saúde. O problema se agrava nos meses mais frios, quando a circulação de vírus respiratórios aumenta e pressiona hospitais e unidades de pronto atendimento.
Segundo especialistas, o quadro costuma começar como um resfriado comum, com coriza e tosse leve, mas pode evoluir em poucas horas para dificuldade respiratória, chiado no peito e recusa alimentar. A pediatra neonatologista Mirla Amorim alerta que a evolução rápida da doença exige atenção redobrada dos pais.
Dados do Ministério da Saúde mostram que o Brasil registrou mais de 120 mil casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em 2025 relacionados a vírus respiratórios, sendo quase 44 mil associados ao VSR. Bebês menores de dois anos representam a faixa mais vulnerável, concentrando mais de 36 mil internações.
Entre os grupos de risco estão prematuros, recém-nascidos e crianças com doenças cardíacas ou pulmonares crônicas, além de pacientes imunossuprimidos. Nesses casos, a evolução pode ser ainda mais rápida, exigindo atendimento médico imediato.
Os sinais de alerta incluem respiração acelerada, afundamento das costelas, chiado, lábios arroxeados e dificuldade para se alimentar. A recusa das mamadas, segundo especialistas, é um dos primeiros sinais de agravamento.
O tratamento da bronquiolite é, na maioria dos casos, de suporte, já que a doença é viral e não responde a antibióticos. Em situações mais graves, pode ser necessária internação e oxigenoterapia.
Nos últimos anos, o Brasil ampliou estratégias de prevenção contra o VSR, incluindo medidas de higiene, vacinação infantil e novas formas de proteção. Segundo dados do Ministério da Saúde, essas ações já contribuíram para reduzir em mais de 50% as internações por SRAG associadas ao vírus em bebês.
Apesar dos avanços, especialistas reforçam que a atenção precoce continua sendo a principal ferramenta para evitar complicações. A orientação é que qualquer sinal de dificuldade respiratória em bebês seja avaliado rapidamente por um profissional de saúde.