Inteligência artificial e streaming devem impulsionar mercado publicitário global até 2030
A indústria global da publicidade deve movimentar cerca de US$ 1,4 trilhão até 2030, impulsionada pelo avanço da inteligência artificial, pela expansão das plataformas de streaming e pelas mudanças no comportamento do consumidor. A projeção faz parte do estudo Global Entertainment & Media Outlook, da PwC, que aponta crescimento médio anual de 5,6% nas receitas publicitárias, consolidando o setor como principal motor financeiro da indústria de entretenimento e mídia.
Segundo o levantamento, os investimentos em publicidade deverão crescer em ritmo superior aos gastos diretos dos consumidores, acompanhando a demanda por conteúdos personalizados, acesso digital, preços competitivos e experiências presenciais cada vez mais imersivas. A tendência reflete uma nova dinâmica de consumo, marcada pela saturação do ambiente digital e pela retomada das interações físicas.
No Brasil, esse cenário também influencia a comunicação pública e o planejamento de campanhas institucionais. Para a diretora de Publicidade da Prefeitura de Salvador, Lília Lopes, gestores e marcas precisam adaptar suas estratégias para dialogar com o cidadão de forma mais integrada ao cotidiano.
“A comunicação deixou de ser um bloco separado da experiência urbana e passou a fazer parte do funcionamento das cidades. Hoje, dados, mobilidade, serviços e espaços públicos também são canais de comunicação, e a atenção do público é conquistada pela relevância e pela utilidade da informação”, afirma.
A especialista destaca ainda que a inteligência artificial vai além da criação de campanhas publicitárias personalizadas. Segundo ela, a tecnologia também pode ser aplicada na análise de dados urbanos, na otimização da comunicação pública e na integração entre os ambientes físico e digital, aproximando serviços e cidadãos em tempo real.
Com quase três décadas de atuação nas áreas de comunicação digital, marketing e publicidade, Lília observa que o crescimento das experiências presenciais, como festivais, shows e ativações de marca, reforça uma mudança importante no mercado.
“O digital continua essencial, mas deixa de ocupar sozinho o centro da comunicação. O que vemos é uma convivência mais equilibrada entre tecnologia e experiências presenciais, criando novas oportunidades para marcas, governos e cidadãos”, conclui.