Novas terapias ampliam perspectivas contra fibrose cística

Os avanços no diagnóstico e no tratamento da fibrose cística vêm mudando a realidade de crianças e adultos que convivem com a doença genética rara, crônica e ainda sem cura. Na Bahia, a jornalista Cinthya Brandão, de 48 anos, acompanha essa transformação depois de ter perdido três irmãs ainda na infância em decorrência de complicações da doença.

O tema ganha destaque durante o Setembro Roxo, período dedicado à conscientização sobre a fibrose cística. A condição é caracterizada pela produção de secreções espessas, que comprometem principalmente os sistemas respiratório e digestivo e podem provocar infecções pulmonares recorrentes, dificuldade para ganhar peso e perda progressiva da função pulmonar.

Na infância de Cinthya, o diagnóstico era mais difícil. A família, que vivia no interior da Bahia, precisou viajar para São Paulo em busca de acompanhamento especializado. Segundo ela, o teste do suor não era realizado em Salvador e a doença ainda não integrava a triagem neonatal pelo teste do pezinho.

Hoje, a realidade é diferente. A pneumologista pediátrica Paula Tannus, do Hospital Mater Dei Salvador, explica que sinais como tosse persistente, bronquites e pneumonias de repetição, falta de ar, dificuldade de crescimento e suor excessivamente salgado podem indicar a necessidade de investigação.

No Brasil, a fibrose cística integra o Programa Nacional de Triagem Neonatal e pode ser rastreada pelo teste do pezinho. Quando há suspeita, exames complementares, como o teste do suor e a análise genética, podem ser indicados.

Entre os principais avanços estão os moduladores da proteína CFTR, utilizados em pacientes com determinadas variantes genéticas. Segundo dados divulgados pelo Ministério da Saúde em agosto de 2026, o acompanhamento de 647 pacientes em 39 centros brasileiros apontou redução de até 85% nas internações, além de menor uso de antibióticos sistêmicos e melhora da função pulmonar.

Para Cinthya, que hoje é mãe, os avanços também significam esperança. “Minha história com a fibrose cística começou com a dor da perda, mas hoje também é marcada pela esperança de que outras famílias possam viver uma realidade muito diferente”, afirma.

Especialistas reforçam que o diagnóstico precoce e o acompanhamento multidisciplinar seguem fundamentais para melhorar a qualidade de vida e reduzir complicações.