Reforma Tributária exige planejamento e revisão de processos nas empresas durante fase de transição

A fase de transição da Reforma Tributária já começou a impactar a rotina das empresas brasileiras, que precisam adequar sistemas, processos e procedimentos internos para atender às novas exigências fiscais. Em 2026, primeiro ano de convivência com o novo modelo tributário, especialistas alertam que a adaptação vai além do setor contábil e envolve mudanças estratégicas em diferentes áreas das organizações.

De acordo com o cronograma do Governo Federal, a implementação gradual da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) transforma 2026 em um período de testes e ajustes. A Receita Federal e o Comitê Gestor do IBS já estabeleceram as regras para essa etapa, permitindo que empresas revisem seus processos antes da entrada definitiva do novo sistema.

Entre as principais adequações estão a atualização dos sistemas de gestão (ERPs), a revisão dos cadastros de produtos e serviços, a parametrização tributária e a integração entre setores como financeiro, compras, estoque, faturamento e contabilidade. O objetivo é evitar inconsistências fiscais e reduzir riscos operacionais durante a transição.

Para a diretora da Brasís Contabilidade, Cristiane Almeida, o momento exige planejamento e atuação conjunta de todas as áreas da empresa. Segundo ela, um dos principais pontos de atenção está na revisão dos contratos firmados com clientes e fornecedores, já que as mudanças na tributação podem afetar preços, custos, faturamento e emissão de documentos fiscais.

“A Reforma Tributária vai muito além da mudança na forma de recolher impostos. Ela exige revisão de processos, qualidade dos cadastros, integração entre sistemas e alinhamento entre todas as áreas envolvidas na operação da empresa. Quem iniciar essa preparação agora terá uma transição mais segura e reduzirá significativamente os riscos de inconsistências fiscais e operacionais”, afirma.

Cristiane também destaca que deixar as adequações para depois pode aumentar custos e gerar dificuldades na adaptação ao novo modelo. Para ela, investir desde já na preparação das equipes e na organização dos processos internos reduz riscos de autuações e garante mais segurança jurídica.

Segundo a especialista, a fase de transição deve ser encarada como uma oportunidade para fortalecer a gestão fiscal e tornar as empresas mais preparadas para atuar no novo ambiente tributário. “A capacidade de adaptação neste momento será um diferencial importante para a competitividade e para a sustentabilidade dos negócios”, conclui.