Casos de Sthe Matos e Larissa Manoela reforçam alerta sobre diagnóstico silencioso da endometriose

Os relatos recentes da influenciadora baiana Sthe Matos e da atriz Larissa Manoela chamaram a atenção para as diferentes formas de manifestação da endometriose, doença que afeta milhões de mulheres e pode comprometer a fertilidade mesmo sem apresentar sintomas. Enquanto Sthe descobriu a condição ao investigar a dificuldade para engravidar novamente, Larissa precisou passar por uma cirurgia para retirada das lesões provocadas pela doença.

A endometriose ocorre quando um tecido semelhante ao revestimento interno do útero cresce fora da cavidade uterina, provocando inflamações, aderências e alterações na anatomia da pelve. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 190 milhões de mulheres em idade reprodutiva convivem com a doença em todo o mundo. No Brasil, a estimativa do Ministério da Saúde é de aproximadamente oito milhões de pacientes.

Embora cólicas menstruais intensas, dores pélvicas, desconforto durante as relações sexuais e dificuldade para engravidar sejam os sintomas mais conhecidos, especialistas alertam que a doença também pode evoluir de forma silenciosa.

“Não sentir dor não significa que a endometriose não exista. Algumas mulheres recebem o diagnóstico somente durante uma investigação de infertilidade”, explica o cirurgião Marcos Travessa, coordenador do Núcleo de Ginecologia do Instituto Brasileiro de Cirurgia Robótica (IBCR).

O especialista destaca que a endometriose não significa, obrigatoriamente, infertilidade. Mais da metade das mulheres diagnosticadas conseguem engravidar espontaneamente, mas a doença pode provocar inflamações, aderências e obstrução das trompas, dificultando a gestação em alguns casos.

O tratamento varia conforme a gravidade da doença, a idade da paciente e o desejo de ter filhos. Entre as opções estão medicamentos hormonais, analgésicos, reprodução assistida e cirurgia. Nos casos mais complexos, a cirurgia robótica tem sido utilizada como alternativa minimamente invasiva, oferecendo maior precisão na retirada das lesões e preservação de estruturas importantes como ovários, intestino, bexiga e nervos.

Apesar dos avanços tecnológicos, especialistas ressaltam que a escolha do tratamento deve ser individualizada, considerando as características de cada paciente e a experiência da equipe médica.