Consultório cheio nem sempre significa lucro: gestão financeira é desafio para profissionais da saúde
Consultórios movimentados, agenda lotada e fluxo constante de pacientes nem sempre refletem uma situação financeira saudável. Especialistas alertam que muitos profissionais da saúde enfrentam dificuldades para manter o equilíbrio das contas mesmo com alto volume de atendimentos, resultado de falhas na gestão financeira, no controle de custos e na precificação dos serviços.
Segundo Catarina Lima, CEO da Referência Gestão de Saúde, um dos erros mais comuns é medir o sucesso do negócio apenas pelo faturamento. De acordo com a especialista, o valor recebido não representa, necessariamente, o lucro da empresa, já que parte dos recursos é destinada ao pagamento de impostos, fornecedores, folha de pagamento, manutenção da estrutura e outros compromissos financeiros.
O alerta ocorre em um momento de expansão do setor. Dados da Demografia Médica no Brasil apontam que o país possui cerca de 640 mil médicos em atividade, tornando o mercado cada vez mais competitivo e exigindo maior profissionalização da gestão de clínicas e consultórios.
Entre os principais problemas identificados estão a mistura das finanças pessoais com as empresariais, ausência de pró-labore definido, retiradas sem planejamento, falta de controle sobre os custos de cada atendimento e definição de preços baseada apenas nos valores praticados pela concorrência. Segundo Catarina, esse cenário pode fazer com que o aumento no número de pacientes não resulte em maior rentabilidade.
Outro ponto de atenção envolve as mudanças nas obrigações fiscais. Desde 2025, profissionais como médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos e terapeutas ocupacionais que atuam como pessoas físicas passaram a emitir recibos por meio do sistema Receita Saúde, tornando as movimentações financeiras mais transparentes e exigindo maior organização documental.
Para evitar problemas financeiros, a recomendação é acompanhar regularmente indicadores como faturamento, custos fixos e variáveis, margem de lucro, inadimplência, fluxo de caixa e capital de giro. Também é fundamental manter separadas as contas da empresa e as despesas pessoais, além de criar uma reserva financeira para períodos de menor receita.
De acordo com Catarina Lima, uma gestão eficiente permite que o profissional tome decisões com base em dados, garanta a sustentabilidade do negócio e mantenha o foco na assistência aos pacientes sem comprometer a saúde financeira da clínica.