Diagnóstico precoce é principal aliado no combate às hepatites virais, alertam especialistas

As hepatites virais continuam sendo um importante desafio para a saúde pública no Brasil e reforçam a importância da campanha Julho Amarelo, voltada à conscientização sobre prevenção, diagnóstico e tratamento da doença. Silenciosas na maioria dos casos, especialmente os tipos B e C, as infecções podem evoluir para cirrose, câncer de fígado e até levar à morte quando não são identificadas precocemente.

Dados do Ministério da Saúde mostram que o país registrou mais de 826 mil casos confirmados de hepatites virais entre 2000 e 2024. As hepatites C e B concentram a maior parte das notificações e também estão associadas ao maior número de mortes relacionadas à doença.

Segundo a hepatologista Nayana Vaz, do Hospital Mater Dei Salvador, um dos maiores desafios é que a infecção pode permanecer sem sintomas durante anos. “A pessoa pode conviver com hepatite B ou C sem saber. Quando os sinais aparecem, muitas vezes o fígado já apresenta comprometimento. Por isso, a testagem deve fazer parte dos cuidados preventivos, principalmente para quem nunca realizou o exame ou esteve em alguma situação de risco”, explica.

O diagnóstico pode ser feito por meio de testes rápidos ou exames laboratoriais. Entre os sintomas que podem surgir nos casos mais avançados estão cansaço, febre, náuseas, dor abdominal, urina escura, fezes claras e pele ou olhos amarelados.

O tratamento também evoluiu nos últimos anos. A hepatite C tem cura em mais de 95% dos casos tratados com antivirais de ação direta, disponibilizados gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Já a hepatite B não tem cura, mas pode ser controlada com acompanhamento médico, reduzindo significativamente o risco de complicações graves.

A prevenção continua sendo a forma mais eficaz de combate às hepatites virais. A vacina contra a hepatite B está disponível gratuitamente no SUS e também protege contra a hepatite D. Especialistas também recomendam o uso de preservativos, evitar o compartilhamento de objetos perfurocortantes e realizar a testagem regularmente, principalmente entre pessoas com maior risco de exposição ao vírus.

Para Nayana Vaz, o principal recado da campanha Julho Amarelo é incentivar o diagnóstico precoce. “Quem testa, trata; quem trata, evita complicações. O melhor momento para agir é antes que a doença provoque danos ao fígado”, destaca.