Desenvolvimento infantil: sinais que merecem atenção
Cada criança tem seu próprio ritmo, mas alguns marcos do desenvolvimento ajudam famílias e profissionais de saúde a acompanhar a evolução motora, cognitiva, social e da linguagem. Quando determinadas habilidades não aparecem, deixam de evoluir ou há perda de capacidades já adquiridas, pode ser importante buscar uma avaliação especializada.
Segundo a fisioterapeuta Jamaica Araújo, fundadora da Clínica Espaço Kids, comparar uma criança com outra não deve ser o único parâmetro para identificar possíveis atrasos.
“Existe uma faixa de tempo para a aquisição de muitas habilidades, mas cada criança pode apresentar uma trajetória de desenvolvimento diferente”, explica. Para ela, o mais importante é observar a evolução individual e perceber quando uma habilidade esperada não surge ou quando ocorre regressão.
Nos primeiros meses de vida, sinais como controle da cabeça, contato visual, resposta a estímulos, sorrisos e interação com os cuidadores fazem parte do acompanhamento. Com o crescimento, entram nessa observação habilidades como sentar, balbuciar, explorar objetos, se deslocar e demonstrar interesse pelas pessoas ao redor.
Entre o primeiro e o segundo ano, ganham importância ações como ficar em pé, caminhar, compreender comandos simples, usar gestos e ampliar a comunicação. Nos anos seguintes, o desenvolvimento da fala, das brincadeiras, da coordenação motora, da interação social e da autonomia passa a ser observado com mais atenção.
Alguns sinais podem indicar a necessidade de investigação, principalmente quando aparecem juntos ou persistem ao longo do tempo. Entre eles estão dificuldades importantes na linguagem, limitações para sentar, andar, correr ou pular, pouca evolução da coordenação das mãos, dificuldade acentuada de interação social e baixa conquista de autonomia.
Prematuridade, alterações auditivas ou visuais, intercorrências durante a gestação ou o nascimento e condições genéticas ou neurológicas também podem exigir acompanhamento mais próximo.
“Procurar uma avaliação não significa antecipar um diagnóstico. Significa entender como aquela criança está se desenvolvendo”, destaca Jamaica.
Quando há suspeita de alteração no desenvolvimento neuropsicomotor, o acompanhamento pode envolver diferentes especialidades, como fisioterapia, fonoaudiologia, terapia ocupacional, psicologia, psicopedagogia e psicomotricidade.