Neurologista alerta que formigamento persistente pode indicar doenças imunomediadas

Sintomas como formigamento persistente, perda de força, alterações na visão, dificuldade para caminhar e tonturas frequentes nem sempre estão relacionados ao estresse, à ansiedade ou ao cansaço da rotina. Em referência ao Dia Mundial do Cérebro, celebrado em 22 de julho, o neurologista Daniel Abreu, da Clínica IBIS, chama a atenção para a importância de investigar esses sinais, que podem indicar doenças imunomediadas que afetam o sistema nervoso.

Segundo o especialista, ainda é comum que muitas pessoas associem doenças neurológicas apenas a quadros graves e de início súbito, como o Acidente Vascular Cerebral (AVC). No entanto, diversas condições podem surgir de forma silenciosa, com sintomas discretos que acabam sendo ignorados ou normalizados pelos pacientes.

Daniel Abreu explica que as doenças imunomediadas acontecem quando o sistema imunológico passa a atacar estruturas do próprio organismo. Quando esse processo atinge o sistema nervoso, a inflamação pode comprometer o cérebro, a medula espinhal ou os nervos periféricos, provocando manifestações como perda de força, alterações da sensibilidade, dificuldades na visão e no equilíbrio.

Entre os sinais que merecem atenção estão formigamentos persistentes, visão dupla, perda de visão em um dos olhos, fraqueza nos braços ou pernas, tremores, alterações urinárias, dificuldade para caminhar, episódios de confusão mental e problemas de equilíbrio, principalmente quando os sintomas permanecem por mais de alguns dias, reaparecem ou interferem nas atividades diárias.

Entre as doenças que podem apresentar esse quadro estão esclerose múltipla, distúrbios do espectro da neuromielite óptica, doença associada ao anticorpo MOG, encefalites autoimunes, miastenia gravis, síndrome de Guillain-Barré, neuropatias inflamatórias, além de doenças sistêmicas como lúpus, síndrome de Sjögren, vasculites e sarcoidose.

O neurologista destaca que muitos pacientes demoram meses ou até anos para procurar atendimento especializado por acreditarem que os sintomas desaparecerão espontaneamente ou por relacioná-los à ansiedade e ao excesso de trabalho. Segundo ele, esse atraso pode comprometer o diagnóstico e o tratamento.

De acordo com Daniel Abreu, o diagnóstico precoce é fundamental para reduzir o risco de sequelas permanentes, já que atualmente existem exames mais precisos e terapias imunológicas capazes de controlar a doença e preservar a qualidade de vida. A orientação é buscar avaliação médica sempre que os sintomas persistirem ou voltarem a ocorrer.