Gordura no fígado cresce entre brasileiros e especialista alerta para importância da atividade física
Enquanto o Julho Amarelo reforça a conscientização sobre as hepatites virais, especialistas chamam a atenção para outra doença hepática que avança de forma silenciosa no Brasil: a esteatose hepática, conhecida popularmente como gordura no fígado. Ligada principalmente ao excesso de peso, sedentarismo e hábitos alimentares inadequados, a condição pode evoluir para inflamação crônica, cirrose e até câncer de fígado quando não tratada.
Segundo o profissional de Educação Física Jauan Anselmo, especialista em fisiologia do exercício, a prevenção da doença passa pela adoção de um estilo de vida saudável, com foco na redução da gordura corporal e na preservação da massa muscular.
“Quando promovemos a redução da gordura corporal preservando e aumentando a massa muscular, estamos oferecendo um dos tratamentos não medicamentosos mais eficazes para reduzir a gordura acumulada no fígado”, explica.
Dados de uma pesquisa realizada pelo Instituto Datafolha em parceria com a Novo Nordisk revelam que 61% dos brasileiros nunca fizeram exames específicos para identificar a doença ou sequer sabem como ela é diagnosticada. O levantamento também mostra que 66% da população apresenta sobrepeso ou obesidade, principal fator de risco para o desenvolvimento da esteatose hepática não alcoólica.
Além da prática de atividades aeróbicas, especialistas destacam que a musculação também desempenha um papel importante na saúde do fígado. Um estudo da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) apontou que o treinamento de força contribui para reduzir o acúmulo de gordura no órgão e melhorar o funcionamento do metabolismo.
De acordo com Jauan Anselmo, a preservação da massa muscular é essencial durante o processo de emagrecimento. “O foco não deve ser apenas perder peso, mas manter a musculatura. Dietas muito restritivas e exercícios sem orientação podem comprometer os resultados e a saúde”, afirma.
A Sociedade Brasileira de Hepatologia recomenda que pacientes com gordura no fígado pratiquem pelo menos 30 minutos de atividade aeróbica cinco vezes por semana, aliados à musculação ao menos duas vezes na semana. O especialista reforça, no entanto, que os treinos devem ser individualizados e acompanhados por profissionais, respeitando as necessidades e condições de saúde de cada pessoa.