Homens desistem mais dos treinos e aumentam riscos à saúde, alerta especialista

Apesar do crescimento da procura por academias e programas de treinamento, os homens ainda abandonam a prática de exercícios físicos com mais frequência do que as mulheres. A constatação, reforçada por estudos recentes, acende um alerta neste Dia do Homem sobre a importância da atividade física contínua para a prevenção de doenças e a promoção da saúde.

Segundo o profissional de Educação Física e personal trainer Jauan Anselmo, especialista em fisiologia do exercício, um dos principais motivos para a desistência está na busca por resultados rápidos. “Existe uma pressão para que o homem demonstre força e alcance mudanças em pouco tempo. Isso faz com que muitos iniciem os treinos com cargas acima da capacidade física, ignorem sinais de fadiga e abandonem a rotina quando percebem que os resultados não aparecem na velocidade esperada”, explica.

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que 47% dos brasileiros adultos são sedentários. Entre os jovens, esse percentual chega a 84%, cenário que preocupa especialistas por aumentar o risco de doenças crônicas.

A tendência de abandono também foi observada em um levantamento da Health & Fitness Association (HFA), que aponta que a evasão masculina dos programas de treinamento nos primeiros 90 dias é de 20% a 30% maior do que entre as mulheres. Lesões provocadas pelo excesso de intensidade, expectativas irreais sobre hipertrofia e a frustração diante do chamado platô fisiológico estão entre os principais fatores.

De acordo com Jauan Anselmo, o platô faz parte do processo natural de adaptação do organismo e não significa que o treinamento deixou de funcionar. Nesses casos, o acompanhamento profissional é fundamental para ajustar os estímulos e manter a evolução de forma segura.

Além dos prejuízos para o condicionamento físico, o sedentarismo está diretamente relacionado ao aumento do risco de doenças cardiovasculares. Pesquisas publicadas no Journal of Applied Physiology indicam que a inatividade prolongada pode acelerar, entre os homens, alterações nos vasos sanguíneos associadas à hipertensão, infarto e acidente vascular cerebral (AVC).

Para o especialista, a construção de uma rotina consistente é mais importante do que treinos intensos realizados por curtos períodos. “A mudança de comportamento é tão importante quanto o próprio treinamento. Os resultados aparecem como consequência da constância, e não de esforços isolados”, conclui.